Arquivo | fevereiro, 2009

As surpresas nossas de cada dia

28 fev

CloserEstava terminando de assistir a mais um episódio do programa Troca de Família, na Record, quando meu irmão começou:

Maga, você tem aquele filme “Closer”?

Não. Por quê?

Quero vê-lo de novo. Esse filme é muito bom!

Hum… não achei nada demais.

Não?! Você não sentiu nada ao assistir?

Não.

Caramba! Eu senti assim… um vazio.

Ué, mas por quê?

Me fez perceber que quanto mais nos aproximamos de alguém, maior é a probabilidade de nos machucarmos.

Mas isso eu já descobri há tempos!

Credo! Não quero ficar insensível como você.

Mas esse é o caminho natural, não há como evitar.

Eu prefiro tentar.

Poxa, eu até gostei do filme. Tem belas cenas de sexo!

Sexo? Quase não há sexo.

O quê?? E o streap-tease super sensual da Natalie Portman?

Porra, parei contigo! O macho aqui sou eu, lembra?

Ok. Então vamos cantar: “I can’t take my eyes off of you. I can’t take my eyes off youuuuuuu…”

Beijokas e pipokas!

Anúncios

“Arrume as minhas gavetas quando tiver um tempinho”

27 fev

O insolente pedido da chefe recebeu o mérito de acabar com o meu dia. E acredite: ela ficaria feliz em saber disso.

A atitude é típica de quem adora misturar a vida profissional com a pessoal. É óbvio que não tenho a obrigação de arrumar suas gavetas, mas qual estagiário ousaria recusar? Olhei-a com toda fúria ariana e deixei claro que o pedido será levemente empurrado com a barriga.

Não é orgulho. Cansei de ir buscar cafezinho, ser babá de sua netinha e dar uma de sexóloga em suas crises conjugais. Não gosto de ter intimidade com colegas de trabalho e detesto perder tempo com coisas banais. Além disso, o meu espaço de trabalho é tão organizado que posso encontrar qualquer coisa de olhos fechados. Cada um tem o seu jeito: não existe o certo ou o errado. Inadmissível é atribuir a outra pessoa uma responsabilidade que é apenas sua.

Ao chegar em casa, me joguei no sofá e devorei um monte daquelas pipocas doces do pacote rosa. Mastiguei os grãos amargos como se fossem de mel. Não é assim que vivemos, dia após dia?

Lição de hoje: um dos maiores desafios da vida é construir um belo castelo com as pedras que surgem pelo nosso caminho.

Beijokas e pipokas!

Um dia de chorar de rir

22 fev

A vida me ensinou que todo início deve ser assim: tímido e despretensioso.

De uns tempos pra cá, tenho sentido a necessidade de escrever sobre o meu dia-a-dia profissional. Talvez seja esta a forma que encontrei para entender os extremos que me dividem: a paixão e a insatisfação. A minha sorte é que quando rolam atritos mais sérios, elas param, sentam e discutem a relação.

Hoje, em especial, foi um dia incomum: do tipo light que não tenho há meses. Nada de homologação de sistemas e revisão de textos esdrúxulos. Também não precisei fazer cara de bolinho ao ouvir a chefe falar mal dos outros. O dia foi todinho meu e do furúnculo nojento que me apareceu na perna.

Ansiosa, a bobinha aqui teve a doce ilusão de receber o notebook recém-comprado na Americanas.com. O problema é que a loja insiste em enviar o Noturno para outras cidades. Aliás, deixo aqui um pedido: quero o registro fotográfico dos lugares que ele conheceu, como no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Igualzinho ao que o pai de Amélie recebeu quando seu pequeno anão de jardim fez uma inexplicável volta ao mundo.

Com o passar das horas, a rua deserta e sem vida tornou-se cada vez mais movimentada. O vai-e-vem de carros logo me irritou, mas três ligações para o SAC tiveram o efeito tranquilizante de um chá de camomila. Fiquei tão calminha que, na última conversa, a atendente realmente conseguiu me emocionar: ela prometeu que o Noturno chegará em breve e com segurança.

Beijokas e pipokas!